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Em um mundo melhor


Ontem fui assistir ao filme “Em um mundo melhor” (“In a better world”), dirigido pela dinamarquesa Susanne Bier, uma co-produção (Suécia/Dinamarca), que venceu o Oscar 2011 de Melhor Filme Estrangeiro.

O filme aborda constantes paradoxos, entremeado por um tema recorrente – o bullying – atos de violência física ou psicológica utilizados para agredir indivíduos sem capacidade para se defender.  Mas o tema é apenas a porta de entrada para que façamos novos questionamentos ao sentimento de “fazer guerra”, que provavelmente subsiste no inconsciente humano desde o tempo das cavernas.

A primeira cena é um campo de refugiados localizado em algum país africano qualquer que está em guerra civil. Um acampamento de trabalho voluntário, provavelmente dos “Médicos sem Fronteiras”. Um médico sueco (Anton) trabalha como pode, em meio ao caos, em meio à desesperança de um mundo esquecido, vítima da violência tribal, de líderes terceiro-mundistas armados até os dentes e que sentem prazer em esfaquear meninas e moças grávidas. Mas não cabe a ele (médico) fazer justiça.

Enquanto isso, sua família vive na Dinamarca. Seu filho Elias é vítima de bullying na escola. Christian, o novo amigo de seu filho, resolve vingar o que o atormentado Elias sofre diariamente na escola, fazendo justiça com as próprias mãos de forma bastante agressiva. Quando Anton retorna à Dinamarca se vê diante desse quadro.

O que poderia ser um filme que retratasse apenas a polarização entre dois mundos estranhos e incomunicáveis entre si (um país com uma das maiores taxas de alfabetismo e qualidade de vida x o subdesenvolvimento africano), ganha contornos que levam o espectador a uma tenaz (e incômoda) reflexão. O que é a vingança, senão o pretexto para gerar mais violência? É se igualar ao agressor? É mostrar apenas quem é o mais forte nos embates do mundo moderno? Ou é apenas uma forma macabra de satisfação particular, uma resposta aos medos internos de cada um? E para isso, não é preciso comparar, por exemplo, Serra Leoa com a Dinamarca. Basta apenas abrir a porta de nossas casas para perceber essa dualidade no mundo em que vivemos.

No cenário do caos africano, se vê a luta para afirmar que a violência por si só, só gera mais guerras. No cenário da desenvolvida Dinamarca, se vê que a adolescência está doente, vítima da incompreensão e do abandono familiar. E em muito se questiona também até que ponto a facilidade de acesso à tecnologia, se não bem conduzida às novas gerações, com acompanhamento familiar, podem servir a causas não saudáveis para uma infância ou adolescência fincada em valores sociais preocupados com o mundo em que vivemos e em que viveremos amanhã.

O filme atua então, a todo momento, questionando até que ponto vale iniciar uma guerra ou revidar a um agressão. Em que mundo melhor queremos viver, se nossos atos nada mais correspondem do que uma contínua ação beligerante, em favor de nossas guerras particulares que acabam ganhando magnitude a ponto de gerar discórdia e ultrapassar as fronteiras de nossos pensamentos?

Trailler oficial:

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Categorias:Uncategorized
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  1. dezembro 1, 2011 às 21:02

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