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Alguns apontamentos particulares sobre o segundo episódio de “O dia que durou 21 anos”


O episódio de hoje (terça), de “O dia que durou 21 anos” foi novamente irretocável. Gostaria de frisar alguns pontos, fazer algumas considerações próprias:

1. Jango NÃO ERA COMUNISTA, tampouco queria implantar o comunismo no Brasil. Era latifundiário, família rica no Rio Grande do Sul. Era NACIONALISTA – e ser nacionalista naquele auge da Guerra Fria (com direito a uma revolução cubana em 1959), representava ser temido como comunista;

2. A entrevista do líder do governo, Bocayuva Cunha, denota muito bem que o governo não queria implantar o comunismo. “Se os EUA fizessem com o Brasil, o que a URSS fez com a China…”. Ou seja: o que estava em jogo eram os interesses brasileiros. As reformas de base eram os pontos que defenderiam esses interesses;

3. A difusão de um discurso anticomunista pode ser encarado sob quatro pontos:

A) O medo do que ocorreu em Cuba, em 1959 (lembrando que a revolução cubana não nasceu comunista, nasceu nacionalista e só dois anos depois é que virou comunista);

B) Má-fé, aproveitamento dos opositores de Jango – que não estavam interessados se o governo se tornaria comunista ou não, mas sim, estavam de olho nas eleições presidenciais de 1965. Segundo o IBOPE, na época, Jango contava com amplo apoio popular e sem duvidas, caso as reformas de base “vingassem”, poderia se tornar extremamente popular. JK tinha 37% das intenções de voto; Carlos Lacerda despontava com 25%; e Magalhães Pinto (governador de Minas Gerais) tinha 8%. Portanto, uma forte oposição se formou em torno da possibilidade de “remoção” de Jango do poder;

C) A quebra da hierarquia militar era uma questão cara a segmentos militares situados nos gabinetes nos quartéis. O militares souberam então, se aproveitar desse discurso anticomunista. Eu diria que a apropriação dos militares, por este discurso, foi a mais feita “na onda” dos acontecimentos. Ou seja: apenas uma “razão” que precisavam para intervir;

D) O interesse estadunidense, que reverberou nos empresários nacionais que lucravam com as atividades de importação e exportação para os EUA. Um dos itens das reformas de base era justamente a lei da remessa de lucros.

Destarte, entendo que o discurso anticomunista, que já ecoava pela Terra Brasilis desde 1935, com a Intentona Comunista, ganhou maior força em 1964 justamente pela apropriação desta por essas 4 vertentes supracitadas.

4. Brizola aparece discursando também no discurso da Central do Brasil, em 13/03/64. No entanto, conforme a biografia de Jango, escrita pelo professor Marco Antonio Villa (Universidade Federal de São Carlos), Jango e Brizola estavam brigados naquela ocasião (Brizola, que representava o nacionalismo esquerdizante mais radicalizado, não entendia porque Jango não radicalizara suas ações). Jango, quando avisado que Brizola estava no palanque, solicitou que este apenas falasse no final, longe de sua fala. Vale lembrar que José Serra, então presidente da UNE, também discursou naquele dia e fez um dos discursos mais exaltados, em prol da radicalização.

Enfim, estes são alguns apontamentos que faço, após acompanhar o segundo episódio deste grande documentário “O dia que durou 21 anos”, exibido na TV Brasil.

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