Início > Uncategorized > ‘Reagan’ esmiuça a trajetória do ex-presidente americano sem ser panfletário

‘Reagan’ esmiuça a trajetória do ex-presidente americano sem ser panfletário


Dirigido por Eugene Jarecki, o filme explica com didatismo e boas análises o que tornou Ronald Reagan um ícone da política americana apesar de seus incontáveis deslizes

Reagan sintetizava com a sua trajetória o pensamento de uma América conservadora, ordeira e terminantemente contra os movimentos civis

Reagan, o documentário

O diretor americano Eugene Jarecki não é dado a maniqueísmos e costuma se arriscar por temas áridos nos seus documentários, como economia (Freakonomics), política (Razões Para a Guerra) e personagens icônicos da política americana.

Antes de esquadrinhar o ex-presidente Ronald Reagan, em Reagan, um dos destaques do 16º Festival É Tudo Verdade, ele tratou com vigor as polêmicas em torno do ex-diplomata Henry Kissinger, tendo como suporte as alegações do combativo jornalista britânico Christopher Hitchens, em O Julgamento de Henry Kissinger. E saiu-se muito bem.

Para efeito de comparação, Jarecki entende que o espectador é capaz de tirar conclusões sóbrias, enquanto seu par, Michael Moore, age motivado por uma espécie de catequização bisonha. Reagan, que marca o centenário de nascimento do político, mantém essa marca. Em duas horas o filme destrincha um dos principais personagens da política mundial no pós-guerra mostrando como ele forjou uma identidade política conservadora com sagacidade e oportunismo, e construiu um mito político calcado muitas vezes em informações desencontradas ou mesmo falsas.

Ao mostrar que o ídolo americano tem pés de barro, Jarecki se abstém de ser panfletário ou raivoso. Os fatos são mostrados, confirmados e analisados por uma dezena de historiadores, assessores políticos e ponderados por seu filho mais novo, Ron Reagan, expondo o ex-presidente, que muitos consideravam uma esfinge, à luz do sol.

De ator de segunda categoria que se tornou palestrante de vendas a serviço de uma grande corporação americana e mais tarde líder político obcecado pela corrida armamentista contra a ex-União Soviética e o liberalismo econômico, Reagan sintetizava com a sua trajetória o pensamento de uma América conservadora, ordeira e terminantemente contra a onda de movimentos civis que assolou o país nos anos 1960. Concorde-se ou não com a essência do que o movia, é inegável o legado político que ele deixou e do qual se ouvem ecos até hoje. Expressões como “Império do Mal” e “levarmos ao mundo a democracia e a liberdade” faziam algum sentido em um mundo em que durante cinco décadas assistiu o embate entre capitalismo e comunismo. Mas não deixou de fazer, ao menos para os governos americanos recentes, vide as guerras do Iraque e a intervenção no Afeganistão após o 11 de setembro. O discurso foi readequado às novas circunstâncias.

Os vacilos de Reagan, no entanto, foram tão claros quanto as suas motivações. Ao financiar ilegalmente golpistas na Nicarágua e negociar com o Irã, cedendo armas em troca de reféns americanos, na década de 1980, ou manter o governo alheio à AIDS que em meados do segundo governo matava milhares de americanos, o ex-presidente deu mostras que usava meios ilegais para atingir um fim que julgava nobre ou submetia as ações da Casa Branca aos seus dogmas morais.

O mesmo aconteceu na economia. Tabelando com a então primeira-ministra britânica Margaret Thatcher, Reagan cunhou a expressão reaganomia, que consistia em políticas econômicas pautadas pelo liberalismo, o estado mínimo, a diminuição de impostos e o incentivo ao consumo. O resultado teve uma face desastrosa. O estado aumentou o número de funcionários, diminuiu investimentos públicos, tirou dinheiro da educação e da saúde para investir em armas, gerou déficit nas contas do governo e juros altos para os consumidores.

Reagan foi uma contradição em muitos termos, mas soube (e teve ajuda nisso) trabalhar a própria imagem com habilidade, se tornando um homem honorável e adorado pelos americanos. Conhecer os seus defeitos privados e os erros políticos amaina a louvação mas não a ponto de tirar-lhe o fascínio.

Abaixo, entrevista do diretor do filme, no Festival de Sundance 2011:

http://veja.abril.com.br/noticia/celebridades/reagan-esmiuca-a-trajetoria-do-ex-presidente-americano-sem-ser-panfletario

Anúncios
Categorias:Uncategorized
  1. Rubens
    abril 6, 2011 às 17:04

    Reagan soube devolver aos americanos o orgulho de ser americano, apos o fiasco do governo de Jimmy Carter.

  1. No trackbacks yet.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: