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Guia da XV Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro (01 a 11/09/2011)


Entre os dias 01 e 11 de setembro terá início mais uma Bienal Internacional do Livro, aqui no Rio de Janeiro. Será a XV Bienal, evento que começou pequeno, em 1983, num dos salões do Copacabana Palace, numa área de mil metros quadrados, e que dois anos depois foi realizada no shopping São Conrado Fashion Mall. No Riocentro, o evento acontece desde 1987, quando ocupou 15 mil metros quadrados nos pavilhões daquele centro de convenções. De lá pra cá, o evento não pára de crescer, ganhando proporções gigantescas, com estandes bem acabados e criativos, sem falar em termos operacionais, com a capacidade de gerar mão-de-obra direta e indireta e envolver negócios editoriais milionários – apesar do Brasil ainda ser avesso à leitura.

Minha primeira Bienal aconteceu em 1989. Na verdade era pra ter acontecido dois anos antes, quando eu iria num passeio escolar. Quis o destino que justamente naquele dia da visita eu ficasse doente e perdesse a Bienal. A decepção foi grande, mas em 1989 fiz minha estréia e não parei mais. Completarei esse ano (2011) minha 12a Bienal e confesso que a intensidade de interesse por esse evento só tende a crescer. De início, ia com a família, mas depois com o decorrer dos anos, passei a ir sozinho – simplesmente porque não passava menos de 5h a 6h andando pelos pavilhões do Riocentro, vasculhando desde os badalados estandes até os mais reclusos, inóspitos e pitorescos estandes, de editoras desconhecidas. Em muitos anos fui mais de uma vez. O grande barato é que mesmo com a facilidade de se comprar livros nas livrarias virtuais e sites de comércio eletrônico, o interesse pela Bienal aumenta. Afinal, pra quê se deslocar até o Riocentro (e se o “RioCENTRO” é longe, imaginem se o lugar fosse chamado de “RioPeriferia”? rs) pra comprar livros se podemos comprar pela internet e recebê-los em casa, com conforto e praticidade? A explicação é que a Bienal é EVENTO. O importante é estar lá, mergulhar na feira literária, ver autores, leitores manuseando livros, sentir o cheiro dos livros, barganhar, negociar descontos, sentir o pé doer de tanto andar, de ir e voltar, reservar o livro e já cansado e com fome, comer alguma coisa na praça de alimentação, apoiando a sacola de livros no chão. No fim das contas, ir embora já noite densa, segurando pilhas de livros sem se preocupar a hora que vai chegar em casa, já no carro (ou no ônibus) folheando as recentes aquisições. E dizer: “daqui a dois anos, eu volto!”.

Pensando nisso, aqui vai uma pequena contribuição, um guia para quem vai pela primeira vez (ou quem já foi outras vezes mas acabou entrando em furadas do evento). Afinal, Bienal não deve ser programa de índio – e nada contra os índios que adoram ler:

1) FUJA, CORRA, EVITE A TODO CUSTO – Ir durante a semana, durante o horário escolar. Se por acaso estacionar seu carro e perceber algum ônibus com crianças fazendo algazarra, pense que está na Líbia e os simpatizantes de Kaddafi estão atrás de você! É furadíssima ir na Bienal junto de caravanas de estudantes. Nada contra os colegiais, mas o propósito da visita deles é certamente diferente do seu, que vai ao Riocentro para ver livros, pesquisar preços e curtir o evento. Mesmo as escolas direcionando as visitas para estandes que realmente interessam ao público infantil, os corredores ficam cheios, os banheiros lotados e quando você quiser ir tomar uma água ou refrigerante na praça de alimentação, encontrará as mesas abarrotadas de crianças jogando Coca-Cola umas nas outras;

2) FUJA TAMBÉM – Dos estandes badalados, das livrarias megastores ou de comércio eletrônico, tipo Saraiva, Siciliano, Submarino. Ficam lotadas de gente, o atendimento é péssimo (geralmente a proporção é de um vendedor para cada 20 pessoas – estou falando sério). O estande da Livraria da Travessa, até a Bienal passada (2009) era razoavelmente civilizado e bem atendido, mas como a rede de livrarias da Travessa cresceu bastante e eles recentemente inauguraram um sistema de comprar/bônus por fidelidade, suspeito que esse ano o estande estará bem cheio;

3) ALIMENTAÇÃOBienal não é lugar para almoçar ou jantar. É lugar pra lanchar, quando você estiver cansado e quiser fazer um pit-stop. Um pedaço de pizza, um refrigerante ou uma latinha de cerveja (se você não estiver dirigindo!) são bem-vindos. Geralmente setembro ainda não é um mês quente, mas ao menor sinal de calor, procure se hidratar com água de côco (há sempre um carrinho vendendo água de côco na garrafa). Mas não leve alimentos/bebidas para dentro dos estandes. Além de muitos vendedores/seguranças olharem você com cara feia, os livros não querem se alimentar;

4) OS MENOS BADALADOS SÃO OS MELHORES – Se o grande público lota os estandes mais conhecidos (mencionados no item 2 deste guia), existem estandes desconhecidos que ficam vazios e que oferecem excelentes livros – em muitos casos, a preços bem em conta. Um exemplo é o estande da Gráfica do Senado Federal. Lá o leitor poderá encontrar títulos sobre diplomacia, relações exteriores, geopolítica, documentos raros e importantes (guerras, Acre, Amazônia). Títulos como “Recordações da Campanha do Paraguai” (José Luís Rodrigues da Silva), “O Abolicionismo” (Joaquim Nabuco), “A Abolição do Comércio Brasileiro de Escravos” (Leslie Bethell ), “O Rio de Janeiro no Tempo dos Vice-Reis” (Luis Edmundo), “Porque construí Brasília” (Juscelino Kubitschek) e “Efemérides Brasileiras” (Barão do Rio Branco), entre outros. Os preços que variam entre 15 a 30 reais. Outro estande pouco conhecido, mas inversamente proporcional em importância e bons títulos é o da Associação Brasileira das Editoras Universitárias (ABEU), que engloba a UFMG, a UFRJ, a UFF, a UERJ, a PUC-Rio, UNESP, entre outras. Geralmente são livros voltados para as áreas de Ciências Humanas e Sociais e Psicologia/Psicanálise. Geralmente é um estande que fica logo na entrada, espaçoso e vazio. Corra pra lá e veja os excelentes livros que ele dispõe. Editora Paz e Terra, Civilização Brasileira e EDUSP são muito bons também. Um estande pouco badalado é o da Imprensa Oficial, que também oferece boas opções de títulos;

5) OS TRADICIONAIS – Estandes da Nova Fronteira, Companhia das Letras, Objetiva e Rocco geralmente inovam a cada ano e apresentam soluções criativas. E oferecem descontos atraentes nos últimos dias. Em 2007, no último dia de evento (um domingo), comprei a biografia de Juscelino Kubitschek com 60% de desconto no estande da Objetiva;

6) ESTACIONAMENTO – É realmente caro: 15 reais por carro! Mas fique atento, apresentando a nota do estacionamento, pode-se obter desconto na hora de comprar um livro;

7) CRIANÇAS – Além dos muitos estandes direcionados ao público infantil, o Café Literário irá oferecer, no dia 03/09, o debate “Literatura infantil ontem e hoje: o caso Monteiro Lobato”, com a participação de Marisa Lajolo, Flávia Lins e Silva, Joel Rufino dos Santos, e mediação de Clarisse Fukelman. Haverá também a Biblioteca Mirim, um espaço lúdico que tem o objetivo de despertar a curiosidade e o gosto pela leitura por meio de duas atividades simultâneas: contação de histórias e biblioteca. Thalita Rebouças e Tânia Zagury estarão, com mediação de Isabella Saes, na mesa ” As leitoras adolescentes”, no dia 05, às 19h;

8) MELHOR DIA PARA VISITAÇÃO – Fins de semana, logo que a Bienal abre, às 10h. Aos sábados, a partir das 15h, começa a ficar bem cheio. Mas tudo vai depender também do tempo: se fizer sol, lota mais tarde. Se chover, desde cedo fica cheio. Esse ano, o Brasil é o país homenageado, então é uma atração à parte para quem visitar a feira de livros. É uma boa pedida para as horas em que os corredores lotam: visite o estande do Brasil, aprecie o material e saiba mais sobre nossa cultura;

9) NÃO COMPRE LOGO DE CARA – Leve um bloco de folhas para anotar os preços. Embora o mercado editorial geralmente tabele os preços, a Bienal é o epicentro da negociação. E acredite: os preços variam muito. Não caia no erro de comprar livros no primeiro estande. Vá anotando e quando acabar de visitar todos os estandes, vá direto ao ponto: o estande que tem livros mais baratos. Professores têm desconto em muitos estandes, mediante apresentação de comprovação de exercício da profissão. Se for estudante, leve carteirinha da escola ou faculdade. Sempre há descontos e é preciso ficar atento. Se puder, visite a Bienal em dois dias: no primeiro, apenas observe preços, curta o evento. E no segundo, realmente compre;

10) CATÁLOGOS – Sempre que visitar um estande, se ficar interessado nos títulos que determinada editora oferece, solicite ao vendedor um catálogo. Nele, não constam apenas os preços, mas também contatos futuros com aquela editora, para recebimento de mala-direta e conteúdo específico. Certas editoras capricham nos catálogos.

Esse é mais ou menos um guia e espero ter ajudado. E não se esqueça de que em 2013 haverá outra Bienal. E depois mais outra, mais outra, mais outra…   :o)

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Categorias:Uncategorized
  1. agosto 29, 2011 às 23:49

    Amooo a Bienal. Frequento há muito anos tb. Num lembro quantos. Antigamente ia de busão com uma amiga e suas sobrinhas. Era muuuuito busão, imagine vc, ir de niteroi pro rio centro. Duas horas só pra chegar, depois de mil baldeações. E a volta? Aff…. saíamos de lá quase 10 da noite e num tinha onibus direito pra ir embora. Hoje em dia eu não faria isso nem a pau….rs Mas concordo com tudo que vc falou, só que eu vou um dia só e costumo comprar logo. Num tem jeito, num tenho desconto de professor e outras regalias. E quanto aos estandes que vc citou, muitos não tem o que eu preciso e procuro: literatura infanto-juvenil. Enfim, irei, talvez no sábado no final da tarde. E com certeza vou encarar o cachorro quente de lei depois de horas andando feito louca. rs Agora tem os e-readers tb pra curtir. Ano passado dei uma de louca e parti pra sampa pra ir na bienal. Fui muito bommmm. Tudo pelos livros! Valeu pelo post!

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