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Almodóvar em busca da perfeição, se reinventa em grande estilo.


“A Pele que Habito” (La Piel que Habito”) é o novo filme de Pedro Almodóvar – aclamado cineasta espanhol e um dos principais nomes do cinema mundial contemporâneo, que possui em sua cinebiografia alguns clássicos como “Mulheres à beira de um ataque de nervos”, “Tudo sobre minha mãe” e “Fale com ela”, entre outros filmes. Neste novo filme, Almodóvar foge à regra comum que acomete os grandes cineastas os quais, após atingirem um patamar de sucesso, estacionam e passam a produzir mais do mesmo. Indo na direção contrária dessa tendência, Almodóvar busca reinventar-se, não somente fazendo uma incursão num tema delicado – o transplante de pele – , mas também ao mexer com temas polêmicos como transgênese, ética médica e o mais tocante de todos os temas: a loucura humana. E o mais interessante de tudo é que, mesmo descobrindo/abordando esses novos temas, ele não abandona suas origens. Até o menos atento fã de sua filmografia é capaz de detectar elementos que já habitam o universo almodovariano desde a década de 1980 até metade dos anos 1990 – a fase mais kitsch do cineasta.

O que surpreende em “A Pele que Habito” é justamente o impacto que o filme traz a quem já espera o pastiche pronto do diretor. Pelo contrário, o que acontece é uma revisitação (seria uma homenagem?) ao suspense a la Hitchcock, igualmente aos filmes de terror dos anos 1930. Não seria demais até possivelmente supor que Almodóvar andou assistindo alguns clássicos do cinema expressionista alemão dos anos 1920 – o sentimento do editor deste blog foi reviver, em certa medida, “Metropolis” e “M: o vampiro de Dusseldorf” – ambos de Fritz Lang. O médico personalizado por Antonio Banderas pode ser perfeitamente comparado a uma espécie de Dr. Frankenstein redivivo. A mensagem porém, é muito clara: até que ponto pode chegar a loucura humana? Fixação? Obsessão? Paixão? Tudo se mistura nesse filme. A obsessão da personagem de Banderas em recriar em laboratório a pele que poderia ter salvo sua falecida esposa, praticamente carbonizada num acidente de carro. O médico recria, mas quem seria o monstro? Quem manipula seres humanos ou quem é criado (ou recriado)?

Como citado no parágrafo acima, é inegável que o clima de suspense lembra muito Alfred Hitchcock. Muitos poderão aténão ter essa impressão – impactados pelo transcorrer da fita. Mas o ritmo do suspense, o sentimendo de mistério presente a todo instante e até mesmo o desenlace dos acontecimentos, é tudo Hitchcok. Está tudo ali. A legião de fãs do cineasta inglês com certeza vai gostar desse filme de Almodóvar. Na linha tênue em que desfilam o suspense e a loucura é possível também encontrar a paixão e a obsessão. O climax do filme se apresenta quando esses três elementos se misturam. A partir desse momento, o filme dá uma grande guinada. E o espectador sai tonto/zonzo do cinema, estupefacto com o que acaba de assistir. Mais uma consequência da genialidade do cineasta espanhol, que transcende para o pós-filme a sensação de choque e incredulidade – antes, em seus filmes anteriores, denotados na filmografia kitsch, e agora, nessa sua homenagem ao suspense, à altura dos grandes diretores do gênero.

TRAILER DO FILME – “A PELE QUE HABITO”

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Categorias:Uncategorized
  1. novembro 15, 2011 às 22:00

    Eu adorei o filme. Provavelmente é o melhor que vi no cinema este ano.

    • novembro 15, 2011 às 22:08

      Também compartilho de sua opinião. Acho que ao lado de “Midnight in Paris”, o filme do Almodóvar se coloca como o melhor do ano. Abraço.

  2. novembro 16, 2011 às 9:50

    Fabrício, não sei se você chegou a perceber, mas a grande virada das duas mulheres da vida do cirurgião se dá justamente quando elas se veem face a face com a sua própria imagem: uma no reflexo do vidro da janela e a outra na sua foto num jornal. Achei isso muito interessante justamente por ir de encontro a busca da “imagem perfeita” que o cirurgião tentou traçar para as duas.

  3. dezembro 4, 2011 às 12:58

    A principal lição que tiro é que, independente da pele que se habita, da forma que se tenha, da aparência que se possua, sempre seremos o que somos. Na cena final a personagem se identifica como sendo o filho desaparecido, não a mulher que, aparentemente, ali se encontra. Ninguém nos transforma no que não somos.

  4. dezembro 4, 2011 às 18:55

    O filme é simplesmente BRILHANTE… Sem descrição suficiente… Eu indico!

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