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Crítica: The Tudors – as quatro temporadas


Finalmente terminei de assistir, em DVD, a última temporada da série “The Tudors”, série baseada na vida de Henrique VIII,  monarca inglês que governou a Inglaterra entre 1509 e 1547. O soberano casou-se seis vezes e rompeu com a Igreja Católica Apostólica Romana – após o cisma de seu casamento com a rainha Catarina de Aragão, na ocasião em que o Vaticano recusou-se em anular seu casamento com a rainha de origem espanhola -, criando uma nova igreja: a Igreja Anglicana – a qual foi designado Chefe Supremo. Como consequência, o monarca dissolveu os monastérios espalhados por toda a Inglaterra, sendo certamente aquele que exerceu o poder absoluto com maior autonomia. Muitos creditam a criação da Igreja Anglicana às manobras políticas de Ana Bolena, que era amante do Rei, para que ela se tornasse Rainha.

Fatos como esses são mencionados durante as quatro temporadas da série, que tem um primor de qualidade técnica que beira o barroco. Os bastidores da Corte também são mostrados: intrigas, conjurações, politicagens… The Tudors descerra a cortina sobre fatos que muitos livros se esquivam de contar, com abordagens feitas com base em muitos estudos e pesquisas de historiadores – vale à pena assistir os Extras do último episódio, com discussões de historiadores ingleses sobre a vida de alguns personagens, bem como os hábitos de adultério, por exemplo.

Henrique VIII (na série, representado pelo excelente Jonathan Rhys Meyers) teve 3 filhos: Lady Mary (com Catarina de Aragão), Lady Elizabeth (com Ana Bolena) e Principe Eduardo (com Joana Seymour). O Rei morreu em 28/01/1547, aos 55 anos. Seu filho Eduardo VI o sucedeu no trono, aos 9 anos de idade. Porém, veio a falecer aos 15 anos. Henrique VIII gostava de uma Catarina: foi casado com 3: Catarina de Aragão (primeira esposa), Catarina Howard e Catarina Parr (a última). Teve também como esposas: Ana Bolena, Joana Seymour (ao que parece, seu grande amor) e Ana de Cleves (cujo casamento não chegou a ser consumado, logo se separando). Eduardo VI, educado questionando os valores catolicos, nao deixou o trono para a irmã – Lady Mary. Com sua morte, Joana Grey – filha do Duque de Suffolk (melhor amigo e conselheiro do Rei Henrique VIII) assumiu o trono por apenas 9 dias. Lady Mary era ultra católica e assumiu o trono dando um golpe. Mandou prender e executar Joana Grey. Tornou-se a Rainha Maria I. Mas governou por apenas 5 anos. Por ter tentado restabelecer o catolicismo como religião oficial, mandou matar 300 pessoas. Maria I ficou conhecida como “Maria, a sanguinária” (Bloody Mary – que virou nome de bebida). 

A série traz também a abordagem da grande disputa religiosa a qual a Inglaterra esteve envolvida, mesmo após a  elevação do Anglicanismo como religião oficial. Era notório que Lady Mary – primeira mulher na linha de sucessão -, filha de Catarina de Aragão, seguisse à risca os hábitos religiosos da mãe (a Espanha era e é, até hoje, um país ultra católico), entrando em conflito com a religião protestante, seguida por Lady Elizabeth (filha de Ana Bolena – decapitada por traição ao Rei – e segunda mulher na linha sucessória). Eram tempos de perseguições religiosas e aqueles que eram contrários ao Catolicismo, eram considerados hereges e automaticamente condenados à fogueira. Catarina Parr, sexta rainha consorte da Inglaterra, tida como culta e intelectual, era simpática ao protestantismo e por isso enfrentou a ira de Lady Mary.

A série termina com a morte de sua personagem principal e justamente no momento em que configura-se aquela que será a batalha entre duas correntes ideológicas: de um lado o catolicismo de Maria I e de outro o protestantismo de Elizabeth I – que após a saída de Maria I do poder, deu sequência à dinastia, governando a Inglaterra por 44 anos. Os 44 anos em que Elizabeth I – a Rainha Virgem – ocupou o trono inglês ficou conhecida como “A Era Dourada”. Uma monarca protestante.

The Tudors teve a Irlanda (e seus castelos) como locação e foi gravada e exibida entre 2007 e 2010. Vale bastante à pena aqueles interessados em saber um pouco mais sobre a história da Inglaterra e principalmente dos cismas religiosos e da vida privada da Corte inglesa no Século XVI.

Assista os trailers de cada temporada:

Primeira Temporada:

Segunda Temporada:

Terceira Temporada:

Quarta Temporada: 

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Categorias:Uncategorized
  1. Henrin
    dezembro 30, 2011 às 19:13

    Legal…Fiquei com muita vontade de assistir a Série. Sempre é bom conhecer bem a história.

  2. Jefferson F. Ribeiro
    agosto 1, 2012 às 20:25

    EU ESTAVA ATRÁZ REALMENTE DE UM COMENTÁRIO TÉCNICO SOBRE ESSA SÉRIE, vOU CONFIAR EM VC E COMPRAR AS TEMPORADAS. aBRAÇOS.

  3. Tex
    agosto 19, 2012 às 10:49

    Henrique VIII não criou nem fundou uma “nova” Igreja Anglicana. Ela já existia, é tão antiga quanto a Católica. Ele só reavivou essa igreja que estava oprimida e quase extinta. Informe-se melhor Fabrício

  4. João Michell Ferreira
    janeiro 2, 2013 às 16:00

    A Igreja Anglicana foi criada por Henrique VIII da Inglaterra e, como Historiador, desconheço que sua origem seja proveniente de outro período histórico do qual aborda a série e a própria historiografia… de onde você tirou isso meu chapa? Faltou às aulas de História foi? Rsrsrsrss…. Abraço Fabrício, adorei seu blog amigo!

  5. janeiro 15, 2013 às 18:38

    Exatamente! Uma das melhores séries que eu já tive o prazer de assistir. É claro que como toda adaptação em algumas partes não retrata exatamente a história, como por exemplo o personagem da irmã de Henrique, chamada “Princess Margaret” na série, é na verdade um composto das suas duas irmãs: a vida da irmã mais jovem, princesa Maria Tudor, juntamente com o da sua irmã mais velha, Margarida Tudor.
    O que eu mais gosto na série é o guarda-roupa. Recomendo também assistir aos filmes Elizabeth e Elizabeth: a era de ouro, é como se fosse uma continuação da série The Tudors.

    • janeiro 15, 2013 às 21:18

      Obrigado pelo comentário. The Tudors foi uma série impecável, em todos os sentidos. Continue acessando o blog, mais novidades virão por aqui. Abraços.

  6. março 3, 2014 às 19:47

    a serie em si é excelente, ótimos atores, uma boa trilha sonora, efeitos, visuais e cenários. No entanto, foge completamente da história real, o rei Henry VIII fictício não fica obeso ou doente como o original, além de muitas outras desavenças históricas. Mas vale a pena assistir, mas não pense q a história seguirá a risca,,,,

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