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Música para os olhos – “A música segundo Tom Jobim”


“A linguagem musical basta”

(Antônio Carlos Jobim)

Segundo a frase acima, o diretor Nelson Pereira dos Santos produziu o documentário “A música segundo Tom Jobim”. Decerto, um documentário muito diferente do convencional: não há nenhum diálogo, nenhum depoimento, nenhuma frase solta. Apenas a música dita os 88 minutos deste filme, onde passeiam cantores, músicos e instrumentistas da mais alta linhagem, como Oscar Peterson, Frank Sinatra, Sammy Davis Jr, Judy Garland, Sarah Vaughan, Ella Fitzgerald,  Pierre Bahrouch, Diana Krall, Gal Costa, Maysa, Elis Regina, Elizeth Cardoso, Sylvia Telles, Chico Buarque, Nana Caymmi, entre tantos outros artistas que enobreceram ainda mais a música do maestro, com suas interpretações musicais.

Logo de cara, no início da fita, um avião da extinta Panair sobrevoa o Rio de Janeiro em fins dos anos 1950 e logo em seguida aparecem imagens da chamada “época de ouro” da cidade: uma viagem do Aterro do Flamengo (quando ainda não era Aterro, apenas um terreno aterrado, com carros percorrendo curvas em meio a terra batida), passando por Botafogo e chegando até Copacabana – berço da Bossa Nova – onde carros e lotações ainda conviviam com os bondes no meio do trânsito. A praia, com crianças brincando na areia. Imagens históricas do centro do Rio também dão o “tom” do documentário, que explora justamente o período onde floresceu a música de Jobim, até ganhar o mundo.

As distintas interpretações, que mesclam desde os artistas nacionais, passando por norte-americanos, europeus (italianos, franceses) e até japoneses, têm o objetivo de mostrar que a música de Tom Jobim ganhou o mundo. E a cada interpretação é passível de somar a marca pessoal de cada intérprete.

O documentário é uma verdadeira música para os olhos. No filme “O fabuloso destino de Amélie Poulain”, lá pelo meio da fita a personagem principal dispara: “Gosto de observar na escuridão as caras dos outros espectadores. E de notar o pequeno pormenor que mais ninquém verá..”. O espectador mais atento, se fizesse o mesmo exercício neste documentário poderia ver um público maravilhado, que canta, batuca com os dedos, com as mãos (e bate palmas como se estivesse num próprio show e recital de Tom Jobim) cada música do maestro que é apresentada.

Nelson Pereira dos Santos fez muito bem. Pra que “perder tempo” com depoimentos, frases, estórias e elogios de parentes e amigos – muitas vezes desnecessários e excessivos – se a linguagem musical Jobiniana já basta, como o próprio maestro disse?

Por isso, o sucesso e a leveza do filme. Porque a cada música dele, é como se tentássemos todos ser iguais a eles, compondo e regendo a vida, dando sentido a cada momento nosso.

Trailer oficial – “A música segundo Tom Jobim”

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