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Minha estréia numa Copa do Mundo


22/06/2014 – Bélgica 1 x 0 Rússia – Estádio do Maracanã.

imageSe o sonho de todo jogador de futebol e participar de uma Copa do Mundo dentro das quatro linhas, confesso que estar numa Copa, como torcedor, na arquibancada de um estádio não deixa nada a desejar – muito pelo contrário. Eu já ouvira relatos de pessoas que viajaram para outros países, em outras ocasiões e contextos, falando do clima de congraçamento, confraternização e festa envolvendo o evento. Mas uma coisa é ouvir, outra é estar la. Um evento que marca qualquer pessoa, para o resto da vida. Daqui a 20, 30 anos, você poderá dizer: “Copa de 2014? Eu estive lá”.

Pouco importa se o ingresso era atrás do gol – e o pior: no setor onde geralmente fica a torcida do Vasco (Benza Deus!). O importante era estar lá, vivenciando o clima da Copa. O jogo? Foi um insosso 1 a 0 para os belgas – uma seleção muito aguardada, com grandes expectativas criadas em torno de si, mas que até agora vem jogando um futebol burocrático e sem emoção. Os russos até que impuseram uma correria do início ao fim, o que não foi suficiente para que no final, valesse o talento individual de jogadores como Hazard e Fellaini, culminando no providencial gol do novato Origin, já no final da partida. Mas a partida em si, foi apenas um detalhe. O que valia era o tão propalado “clima da Copa”. Fiquei localizado muito próximo da torcida da Russia e a todos os instantes, ouvia os gritos deles – além de sentir um cheiro de vodka. Faz parte do clima da Copa. Vi muitos torcedores belgas fantasiados, com uma cabeleira que fazia referência a Fellaini – um dos craques do time.

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Na chegada ao Maracanã, já na saída do metrô, em direção ao estádio, pude vivenciar esse clima e experimentar um pouco da democracia das cores que envolvem todas as torcidas. Não havia apenas belgas, russos e brasileiros; vi turcos enrolados na bandeira de seu país – e olha que a Turquia nem está na Copa! -, vi japoneses pintados, argentinos tirando onda, uruguaios insistentemente relembrando a mística da Celeste Olímpica – e, claro, o Maracanazzo de 1950. Vi os Red Devils (Diabos Vermelhos) celebrando num bar, próximo a entrada do portão C. Bebiam cerveja, falavam alguma coisa com guardas municipais – seria flemish? Ou francês? – e no meio da bagunça passava um caminhão da… COMLURB! (seria uma referência subliminar ao “Ratos e Urubus” de Joãosinho Trinta?). Clima de festa. Clima de Copa. Como nos adiantava a Brahma, num comercial de um ano atrás: “Imagina a festa”. Sim, aquela era a festa.

imageNum dado momento, aquele clima carnavalesco me lembrou um pouco o carnaval de Salvador. Na capital da Bahia, durante o carnaval, a profusão de abadás coloridos, as pessoas – cada uma delas – representando uma bandeira (os blocos – Nana Banana, Cerveja & Cia, Cocobambu, Camaleão, Me Abraça, Coruja, entre outros), todos vivendo um clima de confraternização nas ruas – um clima de festa, sem inimizades, ninguém querendo ser melhor que o outro. A única preocupação era se a cerveja já tinha acabado.

Pude perceber que, no clima da Copa, os países podem ser adversários – e mesmo assim, só durante 90 minutos -, mas jamais inimigos. E em meio a essa democracia há a globalização: logo na chegada, fui entrevistado rapidamente por um jovem jornalista russo, que perguntou sobre a camisa que eu usava – uma camisa retrô da extinta União Soviética, com a sigla do pais escrita em cirílico, remontando aos anos 1970, quando a URSS ainda era uma potência esportiva e – vá la – econômica.image

Numa Copa você pode até ter distinção econômica na hora de ficar localizado no estádio. Uns pagam mais caro, sentam próximos ao gramado, outros pagam menos e sentam no alto de uma arquibancada. Mas será que para vivenciar o clima mágico de uma Copa, isso é importante? No creo…

Até quando pude observar “problemas” – filas enormes para comprar cerveja e refrigerantes -, isso não impactou tanto. Afinal, novamente: eu estava vivendo o clima de uma Copa.

No final, na saída do estádio, mais uma vez pude observar uma profusão de bandeiras de várias nacionalidades e, principalmente, as personagens envolvidas: russas vestidas à caráter, com roupas de uma aldeia do interior, e até um russo vestido com a roupa quente de um urso, com pêlos – imagino o calor que devia estar ali dentro.

Enfim, pude viver esse dia histórico, onde o futebol não foi o destaque principal, e sim o contexto, o valor imaterial da democracia das bandeiras, da globalização esportiva e, principalmente, de um clima muito positivo e de confraternização.

Coisas que só o esporte – e o futebol – podem proporcionar a todos nós.

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Categorias:Uncategorized
  1. Margarida Sousa
    junho 26, 2014 às 21:04

    Parabéns pelo relato emocionante de se vivenciar um jogo de Copa do Mundo. Realmente, não importa quem está disputando a partida, afinal é Copa do Mundo! Essa mistura de vários povos e cultura deve proporcionar a quem participa do evento emoções inesquecíveis. Deu para arrepiar!

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