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“Si, se siente, Colombia esta presente!” (E o Maracanã vestiu amarelo…)


imageSábado (28/06) tive a oportunidade de ir ao Maracanã e assistir dois jogos com o preço de um. Uma experiência singular, já que o jogo principal era Colômbia x Uruguai. Na preliminar, o jogo do Brasil contra o Chile – mas num telão, já que a partida era em Belo Horizonte. Sensação diferente não acompanhar a exibição da Seleção Brasileira em casa ou num bar, mas num estádio, e ainda por cima, sem a presença dos jogadores. Enfim, era o que se tinha para o momento.

Voltar a uma partida de Copa do Mundo já valia por estar ali. Mas o clima de Copa deu lugar a um clima de tensão, já que certamente o resultado do jogo do Brasil refletiria no restante do dia. Caso fôssemos eliminados, eu perderia um pouco o prazer de estar ali. Primeiro deveríamos fazer nosso dever de casa.

Um dos diagnósticos que posso fazer – e que me impressionou bastante – foi a simpatia e receptividade dos colombianos. Decerto já ouvira relatos muito favoráveis sobre essa característica de alguns povos de nuestra America – excetuando-se, claro, argentinos e uruguaios. Já na ida para o estádio, no metrô, percebi que não apenas colombianos se dirigiam ao estádio, mas também venezuelanos, peruanos – a Venezuela e o Peru nem estão na Copa – e japoneses (que já deram sayonara a Copa), todos abraçaram a causa da Colombia na competição.

imageUma causa histórica, diga-se de passagem, já que por diversas vezes o mundo do futebol criou expectativas com relação à seleção colombiana, que desembocaram em frustrações: na Copa do México, em 1986, a Colômbia (que inicialmente se propusera a sediar a Copa naquele ano e abrira mão na última hora, vitimada por um terremoto de grandes proporções) não disputou a Copa, mesmo tendo uma geração bastante promissora, com Valderrama, Redín, Rincón e o goleiro Higuita. Em 1990, a mesma Colômbia – já com uma geração mais experiente – acabou eliminada da Copa, perdendo para a seleção de Camarões do veterano Roger Milla – num jogo com falhas individuais, entre as quais, do próprio Higuita – um clown que fazia as vezes de goleiro também. E em 1994, quando saiu da Copa ainda na primeira fase – culminando no assassinato do zagueiro Escobar, vítima de desafetos dos cartéis colombianos.

Portanto, essa geração colombiana, que agora exibe um futebol vistoso, carrega uma fleuma que envolve não apenas a população daquele pais, mas também dos sul-americanos, em geral. E que acabou também trazendo para junto de si a população brasileira, a começar pela mesma cor amarela da camisa. Portanto, o Maracanã era predominantemente amarelo – por colombianos e por brasileiros que chegaram mais cedo para assistir o jogo contra o Chile no telão -, contra um personagem bastante conhecido: o Uruguai – a Celeste Olímpica – nosso costumaz adversário de outros carnavais e eterno fantasma da Copa de 1950.

Torcedores uruguaios também estiveram no Maracanã. E é claro que no jogo preliminar, torceriam contra o Brasil. Portanto, além da vitória brasileira no Mineirão ser fundamental para manter aceso o meu prazer com a Copa naquela tarde, eu imaginava que seria uma tarefa muito ingrata ser provocado por torcedores uruguaios, ainda por cima dentro do próprio Maracanã – palco da tragédia de 1950, quando perdemos para Gigghia, Obdulio Varela & Cia.

imageÀ medida que o jogo em Belo Horizonte transcorria – e as perspectivas não eram nada boas, pois éramos dominados pelos chilenos -, pude constatar que os colombianos – que felizmente eram ampla maioria no Maracanã, na proporção de vinte colombianos para dois uruguaios – torciam para o Brasil, mesmo que isso fosse, no íntimo, uma incoerência, já que teoricamente, a Colômbia passando para as Quartas de Finais, teria mais facilidade se enfrentasse o Chile, ao invés dos anfitriões. Mas no fim das contas, graças a “São Julio Cesar” – tão criticado e execrado por certos segmentos regionais de nossa imprensa – pude respirar aliviado com os pênaltis defendidos e a nossa classificação para a próxima fase da Copa.

Agora sim, seria possível desfrutar o “clima de Copa” – que já pudera vivenciar no jogo anterior – Bélgica x Rússia – que acompanhei no mesmo estádio. E estar no meio da torcida colombiana foi bastante significativo. Um clima bastante positivo, sem rivalidades e podendo acompanhar seus gritos de incentivo a seleção colombiana: “Si, se siente, Colombia esta presente!” e também “Ole, Ole, Ole, Ola es mi Colombia a ganar!” – entre tantos outros, entoados por quase 73 mil pessoas presentes – contra, no máximo, mil ou dois mil uruguaios corajosos, dispostos a tirar onda com brasileiros, mas que no final das contas, amargaram uma péssima atuação de seu país, com jogadores abaixo do nível técnico desejado – Diego Forlán, eleito melhor jogador da Copa 2010, na África do Sul, não era nem sombra, por exemplo, do jogador de outrora, praticamente andando em campo. Vi um isolado Edinson Cavani, atacante do Paris Saint German, correndo solitariamente de um canto para o outro, sem ser municiado por um meio-de-campo decente. E também o zagueiro Godin, vice-campeão europeu e campeão espanhol com o Atlético de Madri, atuando discretamente, sem se impor diante da equipe colombiana. Enfim, um Uruguai ressentido e baqueado pela ausência de seu principal craque, Luís Suárez, que preferiu encarnar o vampiro e deu asas e voou para longe da Copa.

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Ja a Colômbia causou uma ótima impressão, seja pela torcida, pelo futebol apresentado – solto, alegre e com a aplicação tática desenvolvida pelo técnico argentino Jose Pekermann – aplicação tática sem fugir das características do futebol colombiano, e bom frisar – e principalmente pela exibição de gala do jovem James Rodríguez – craque do time, autor dos dois gols da partida – um deles, um golaço, em que ajeitou a bola e bateu de primeira para o gol, superando o goleiro uruguaio Muslera. Rodríguez, um típico camisa 10, clássico, que atua como meio-campo, e já é o artilheiro da Copa com cinco gols.

O que restou de toda essa festa foi a alegria de mais uma vez estar presente num jogo de Copa do Mundo, a possibilidade de interagir com pessoas de outras nações, e principalmente assistir dois jogos no Maracanã – um virtual, pelo telão, e outro real – uma experiência diferente e ao mesmo tempo, alegre e angustiante

Agora resta a colombianos e brasileiros se enfrentarem nas Quartas de Finais.

O que será que está Copa ainda nos reserva?

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